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sábado, 25 de outubro de 2008

A IMPORTÂNCIA DA OPÇÃO




Quem opta escolhe, e escolhendo, vai de encontro ao seu destino, a sua senda, a sua vereda segura. Mas essa escolha tem que ser feita de maneira independente, clara, segura, responsável, ética e democrática. É uma maneira de o ser humano se habilitar a viver e a conviver consigo mesmo, de conheçer a si próprio, antes mesmo de conhecer o “mundo” que o cerca, pois quem apenas crer não conheçe, e não conhecendo não pode ter fé, e em não tendo fé não pode acreditar em nada.


Há exatos 40 anos, evidenciou-se em Currais Novos um sistema político que, apesar das marchas e contramarchas, salientou-se e ainda salienta-se como um divisor de águas em nossa história. Passou por vários partidos, mas sempre sustentando a bandeira de oposição. De início foi ARENA (dissidência), passou pelo PDS, incursionou bravamente pelo PMDB, foi PSDB, numa campanha paupérrima, mas que surtiu os efeitos desejados, e hoje desemboca no PSB. Falo do sistema gilbertista, criado pelo saudoso Dr. Gilberto de Barros Lins, que naquele ano de 1969 criou uma dissidência dentro do próprio sistema, assumindo para si a bandeira da segunda oposição no município. Se já existia o MDB, comandado aqui por Mariano Guimarães, Reginaldo Bezerra, Raimundo Bezerra, José Dantas, Radir Pereira, etc., criou Gilberto uma oposição dentro do próprio sistema. Mas Currais Novos não poderia e nem ainda pode sustentar uma terceira força, e eis que no Governo Lavoisier Maia, Geraldo Gomes, então prefeito deixa o MDB para abraçar o partido da ditadura, e é então que Gilberto, seu adversário ferrenho, recebe o convite de Aluizio Alves e filia-se ao MDB, numa reviravolta de admirar. Naquele momento a coragem dele e do seu sistema adquiriu uma nova roupagem, e a partir dali uma nova história seria contada. A segunda força estava mantida, pois vários dos antigos emedebistas preferiram seguir com o “crescente” José Agripino Maia, desprezando até o velho senador Dinarte Mariz. Mas a segunda força, repito, estava mantida, mantida pelos seus velhos correligionários que o acompanhavam sempre, independente de sistema ou de partido, como acontece hoje, quando o prefeito Zé Lins, seu filho, aglutinando os gilbertistas do passado, conseguiu também firmar o seu próprio sistema político, independente do sistema ou do partido em que esteja ou que venha a filiar-se. Não existe jogo de interesses, e tudo é feito hoje, como foi feito no passado, baseando-se na amizade, na camaradagem, na confiança mútua e no respeito.


Mas toda a trajetória política do Dr. Gilberto Lins não foi feita somente de vitórias. Foram 7 campanhas mal sucedidas, mas que em todas elas tirou-se uma lição, e em 1992, quando ele enfrentou a sua campanha mais acirrada e mais desigual, lutando contra o governo do estado e contra as elites dominantes, para não citar o poderio econômico/financeiro do seu adversário, sagrou-se prefeito de Currais Novos, com uma maioria de 1.245 votos. Fato inédito, que ainda hoje repercute nas rodas de assuntos políticos.


A vitória de 1992 foi a sagração de um sistema político que reerguia-se de uma maneira brilhante, honesta, responsável, ética e democrática. Naquele ano também passou-se a observar outros valores políticos que antes não eram notados. Pode-se perfeitamente gahar uma eleição sem dinheiro! E isso foi provado, mas não comprovado hoje, quando se tenta e não se consegue mais, justamente porque, naquele ano, e naquelas circunstâncias, os valores eram outros e o que estava em jogo era a honestidade e a probidade, coisa que o candidato vencedor provou que tinha e o povo julgou a sua causa como necessária e oportuna.


Mas o que vemos hoje em Currais Novos, é um sistema agarrando-se a outro: ninguém quer tentar criar uma terceira força, como fez Dr. Gilberto no passado, ninguém quer arriscar nem os dedos nem o anéis; a antiga UDN, travestida hoje do DEM, sustentada aqui por Geraldo Gomes, agarra-se mais e mais ao deputado Ezequiel Ferreira (PTB), porque sabe que, se um dia eles se separarem, fatalmente um correrá para os braços do opositor-comum, que é Zé Lins, e isso eles não querem; por isso, bem ou mal, satisfeitos ou não, eles se agrupam, se superam e se suportam.


Hoje, o PMDB, o velho partido da resistência á ditadura militar encontra-se com o seu diretório fechado, justamente porque a incompreensão e os interesses individuais o tirou do veio da história. Partiu-se em dois, em dois sistemas. De um lado estão aqueles que acreditam ainda na democracia, e do outro os que querem apenas manter o status quo e as aparências, que não mais existem. Mas apesar de tudo, soube que o vereador Izinho Brandão (PSB) é um dos pretendentes a assumir os destinos do PMDB e recolocá-lo novamente na senda da história. Acredito que Izinho pode fazer isso, porque ele, além de ter um mandato, tem também uma história dentro do próprio partido, como também nós e muitos outros temos.


FONTE: VOLNEY LIBERATO


Volney59@yahoo.com.br


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