Leidiana Mara Medeiros de Melo foi a única mulher do nordeste a ser aprovada no recente concurso nacional para formação de sargentos da aeronáutica na área de música. Após cinco fases classificatórias e eliminatórias, ela foi aprovada com mais outras duas da região sudeste. “Eram seis vagas para todo o Brasil. Passaram três mulheres e três homens”, comenta.
No dia 28 de maio ela começa em Guaratinguetá/São Paulo, o curso prático que terá seis meses de duração. Leidiana formou-se em música pela UFRN em 2007 e faz parte há 10 anos da Filarmônica de Cruzeta, tocando clarinete. “Eu fui a segunda mulher do Seridó a me formar em música na UFRN. A primeira foi Paula Francinete que se formou em 2006”, disse. A jovem disse que foi matriculada na escola de música de Cruzeta, quando tinha 10 anos, pela mãe, Diva Maria de Azevedo. “Comecei a estudar flauta doce com o maestro Bembem, após um tempinho ele me deu o clarinete para eu estudar e após alguns meses de estudo eu entrei na banda”.
Leidiana informou que sempre achou interessante ver principalmente na festa de padroeira do seu município, a Filarmônica tocar.“Aí eu dizia, mãe eu quero entrar na aula de música, aí ela me matriculou lá. Aí assim que terminei o segundo o grau fiz o vestibular para música e passei”, relatou. Com relação ao concurso recentemente aprovada, cita que o certame é muito procurado por homens. “Pelo menos na especialidade em música, não sei porque as mulheres têm medo de ingressar nas Forças Armadas porque não é nenhum bicho de sete cabeças, hoje em dia, principalmente. E fui a única mulher do Nordeste a ser aprovada e entre as três do Brasil”.
Órfã
Leidiana Mara Medeiros de Melo perdeu a mãe Narcisa Medeiros, que residia em Caicó logo pequena. Sua mãe morreu no parto de uma filha. Seu pai, o pedreiro José Alves de Melo, ficou com três filhas e casou-se com Diva Maria de Azevedo. “Meu sentimento é amor demais, não tenho nem como explicar, é minha mãe de verdade porque Deus faz as coisas, a gente não tem como reclamar nada e foi uma pessoa que Deus colocou na minha vida e na vida das minhas irmãs e do meu pai para cuidar da gente. É amor incondicional. Embora ela não seja minha mãe biológica, ela me criou como se fosse filha mesmo. Não há diferença de tratamento dela com as filhas biológicas”, relata a respeito de Diva Azevedo.
Quando o assunto é deixar a mãe para ingressar nas Forças Armadas, a jovem se emociona.“Eu acho que vai ser difícil, ainda não caiu a ficha, não. Daqui a um mês eu vou estar em São Paulo, longe de todo mundo, mas já sou um pouco acostumada porque saí de casa para estudar em Natal, aos 16 anos e hoje estou com 22 anos, mas está em Natal é uma coisa, em São Paulo é outra, principalmente por causa da distância. Acho que vai ser um pouco difícil, mas estou satisfeita em dar orgulho aos meus pais”, comentou.
FONTE: DN
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