Um afago nas mãos do namorado. Por volta das 9h, a psicóloga Karoline
Calheiros se direcionou ao centro da quadra do ginásio poliesportivo
Ronaldo Cunha Lima, no bairro do Cristo Redentor, em João Pessoa, para
ficar ao lado do cantor Gabriel Diniz. Permaneceu cerca de meia hora
junto do caixão, aberto apenas na sua metade superior, recebendo abraços
dos amigos e os olhares solidários dos fãs que, em fila indiana, se
despediam em silêncio do sul-matogrossense, mas paraibano de coração,
morto em um acidente aéreo na segunda-feira (27), em Sergipe, aos 28
anos de idade.
Em menos de meia hora, Karoline se retirou. Foi para a sala reservada
onde se encontrava Ana Maria, a mãe de Gabriel Diniz, sertaneja de
Cajazeiras, que não teve condições emocionais de ver o filho morto. Com o
equilíbrio demonstrado no dia anterior, assim que se confirmou a
tragédia no mangue do povoado Porto do Mato, em Estância, na região Sul
de Sergipe, o pai voltou a falar com orgulho de GD, como o cantor era
também conhecido. Apesar da tristeza do momento, ele ressaltou que a
alegria demonstrada em vida pelo filho prevaleceria.
“Eu falo para os fãs que não se sintam tristes, porque o Gabriel para
mim é a maior representatividade da alegria. Eu não me incomodo se as
pessoas se manifestarem com alegria neste momento, de maneira alguma. A
gente tem que guardar as coisas boas que ele deixou para a gente”,
ressaltou Francisco Cizinato Lacerda Diniz. O pai, a mãe e a namorada de
Gabriel esperavam por ele em Maceió na segunda-feira para comemorar o
aniversário de 25 anos de Karoline. Uma festa que não houve.
A alegria de Gabriel Diniz era ressaltada em fotos exibidas em um
telão, mas sem trilha sonora. Imagens de um rapaz de barba rala, óculos e
indumentária colorida, uma reinvenção breganeja do cantor Cauby
Peixoto. Com capacidade para cinco mil pessoas sentadas, o ginásio
Ronaldão desta vez não tinha a música de GD para animar a multidão. Era
em silêncio que as pessoas passavam por um corredor montado com grades,
protegido por guardas municipais em uniforme negro.
Katiane Lima, 28 anos, chegou ao Ginásio Ronaldão às 23h30 de
segunda-feira e passou a madrugada na fila de fãs que queriam dar o
último adeus a Gabriel Diniz. “Fiquei sabendo pelo Instagram e não
consegui trabalhar. Cheguei cedo no ginásio porque tinha que me despedir
dele. A alegria dele, a música e a simplicidade é o que vão ficar pra
nós. Jennifer é o que levou ele pro resto do Brasil, mas, pra mim, a
música Paraquedas é a que mais representa a vida dele. Choro sempre que
escuto”.
Vitória Beatriz dos Santos, 23 anos, saiu de Caaporã, na Paraíba,
para acompanhar o velório. Chorando muito, teve que ser amparada por
amigos. “A alegria dele era tudo pra mim. Vai ficar faltando um pedaço
do meu coração”.
Cerca de 25 coroas de flores chegaram ao ginásio. Dos colegas de
trabalho que tanto ressaltaram a despedida precoce de Gabriel Diniz,
Mateus, sertanejo que faz dupla com Kauã, foi o primeiro a marcar
presença. Depois do meio-dia, quando o aeroporto de João Pessoa foi
liberado para a chegada de jatinhos particulares, celebridades da música
começaram a surgir, a exemplo de Wesley Safadão, Xand Avião e Gusttavo
Lima.
Às 10h20, a banda e o pessoal de apoio da produtora de Gabriel Diniz,
todos com camisetas em detalhes em preto e dourado, fizeram um círculo
em torno do caixão para uma oração coletiva. O artista sai de cena no
auge, com média de 20 shows por mês e um cachê estimado em R$ 120 mil.
Dinheiro embalado pelo sucesso da canção Jenifer que serviu não
apenas para pagar músicos e funcionários, mas para comprar uma casa
para a família, um sítio e até uma barbearia para o pai.
No centro do ginásio, cerca de 500 cadeiras estão colocadas para uma
missa marcada para as 15h. Depois, por volta das 16h, em um caminhão do
Corpo de Bombeiros, o caixão com a bandeira da Paraíba segue para o Cemitério Parque das Acácias. O sepultamento será acompanhado apenas por familiares e amigos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário